mês 5
ponto de situação, fotos piores, planos de verão
Maio ainda vai a meio e já aconteceram coisas que não estavam na minha lista...
Vi treze filmes sobre música em sete dias. Dez sessões em sala e uma em casa. Para a malta do cinema não será nada de especial, mas sessões duplas não é muito comum para mim!
Fotografei teatro - coisa que acontece uma vez a cada 5 anos.
Fotografei um casamento - sim, sou uma coração mole e às vezes digo que sim sem pensar muito na Vera do futuro. O nervosismo pré-casamento foi tão grande que pensei: “se sentisse isto cada vez que vou fotografar um concerto, já teria desistido”. Correu tudo bem, eles disseram sim.
Vim a Guimarães, escrevo-vos no regresso a casa, falar sobre fotografias e amizade, com a Francisca Cortesão e os alunos do IPCA.
Vão haver mais alguns concertos até ao final do mês, mas tudo muito mais calmo.
Nas viagens Lisboa-Guimarães e Guimarães-Lisboa aproveitei para afinar a lista eterna das coisas por fazer. Não vale a pena repetir esta conversa. Sim, continuo a acumular tarefas infinitas que podem ou não valer o tempo que lhes dedico.
Uma das coisas que estava na lista era preparar uma apresentação/conversa livre, de 2 horas, que farei sozinha. A ideia que guia a apresentação que alinhavei é: As minhas fotografias estão cada vez piores.
Acho que “caguei”.
Vivemos (ou vivo eu e devia começar a ver outras coisas) rodeados de imagens perfeitas, pós produção exímia, textura no ponto, linhas direitas, cores pujantes mas no tom certo. Retratos com luzes de estúdio impecavelmente estudadas, poses perfeitas, coordenação de elementos e cores estudada à exaustão. Tudo apresentado em conjuntos de imagens selecionadas de forma escrupulosa!
Grito bem alto para haver sites e não só redes sociais. Tento ser constante na minha partilha de fotografias e arrumada nos meus arquivos. Olho para as fotos muitas vezes para perceber onde estou a ir, o que estou a repetir mas… Decidi marimbar-me para a perfeição! Persigo uma ideia de “carácter” nas fotos que tiro. Isto está muito dependente dos fotografados, óbvio. Mas prefiro imagens que me mostrem os dentes, será que isto dá para perceber? Funciona na minha cabeça, esta comparação.
Muitas fotografias que vejo dão-me seca e para as salvar há um malabarismo de pós produção que, para mim, não está a funcionar.
Queria e quero sentir-me entusiasmada pelas fotos que tiro. Acho que isto justifica a necessidade de tempos a tempos ir a concertos de música que é tocada demasiado alto, lá estão garantidos os dentes.
Adiantando aqui a “rubrica” fotógrafos de que gosto, aqui está um que mostra os dentes, o Sacha Lecca:
Quando souber detalhes da conversa no Porto, aviso. Até lá pode ser que arrume esta ideia um bocadinho melhor. Vai ser na House of Photography da Fuji em Julho, no Porto. Em Setembro faço 11 anos a usar fujis. Tem sido fixe.
Planos mais próximos: em Junho há A Porta, em Leiria, que este ano faço a meias com a Beatriz Pequeno - ela vai os primeiros dois dias, para garantir que a minha mãe não me deserda e eu termino o festival.
Em Julho há Nascentes.
Retomando e terminando isto com as rubricas!
pessoas que gosto de ouvir e ler
O Ricardo Martins. Já havia mencionado o substack do Ricardo por aqui. Mas havendo esta pequena rubrica, fica aqui a menção super especial. As associações, as memórias de tours, a cabeça dele ali exposta! É um mimo de se ler.
Não bastando o design, a música, há também esta capacidade de cativar pela escrita. Sinto que é só uma maneira que encontrou para cuspir o mundo cá para fora. Tenho de lhe perguntar.
Um dos textos que soma as associações e memórias de tour fica aqui para lerem:
música, discos, gigs
Sou super fã da Leonor. Tenho esta canção na cabeça desde sábado passado.
Até já. Menos rabugenta, prometo.



Esses momentos de desinspiração (ou... 'desentusiasmo'?...) são inevitáveis e mais ou menos cíclicos, acho, pelo menos comigo. A ideia de carácter faz todo o sentido e está mais do que presente no teu trabalho. Tantas e tantas vezes a fotografia de concerto cai nos mesmos lugares-comuns (é natural, dadas as restrições de tempo e espaço que estão sempre presentes) e o que a salva e torna interessante é isso, o carácter - o "mostrar os dentes". Ir mais fundo, não captar só a superfície. Acho que não tens esse problema, Vera 🙂
"Tento ser constante na minha partilha de fotografias e arrumada nos meus arquivos" - ando a pensar muito em arquivos ultimamente (recomecei a digitalizar negativos, ainda de 2003...) Estou a pensar alinhavar um post com o método que uso - talvez sirva como ponte para uma troca de ideias sobre outras formas de arquivar e organizar. É um lado menos visível e glamoroso da fotografia, mas tão importante...
Finalmente - Sacha Lecca, bela recomendação!!
lezzzz goooo 🤝